quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Tempo








Querida Luísa,

Não sei o que dizer passados tantos anos. É incrível as voltas que damos na vida e como, por vezes, não conseguimos entrar na onda dela.

Quando me sentei na mesa à tua frente na escola nunca julguei que íamos viver o que vivemos e levarmos com os pontapés da vida.

Mandavas-me mensagens e eu respondia-te. Estavas interessada em conhecer-me mas eu não me dava a conhecer. Querias que acontecesse algo entre nós, e eu não me apercebi... a tempo. Tempo. Essa coisa má que nos faz esquecer os momentos melhores da nossa vida, nos transforma em adultos e nos faz perder toda a magia da adolescência, onde parece que as coisas têm um sabor diferente. Tudo é colorido e animado. Onde podemos errar sem graves consequências. Mas eu, errei, e sim, teve graves consequências. Perdi a mulher da minha vida. Tu, Luísa.

Com o passar do tempo e com aquilo que achavas que era o meu desinteresse, foste-te fartando de mim, até ao ponto em que deixaste de me mandar mensagens. Eu não dizia nada, mas por dentro, queria-te dizer tudo. A quanta falta me fazias. Quanta falta sentia das tuas mensagens, da tua agressividade amorosa. De ti.

Dei por mim, a acordar a pensar em ti, a passar a manhã, a tarde e a noite a pensar em ti, até me deitar à noite cansado, mas não de pensar em ti. Todos os dias eu olhava para o telemóvel à espera, simplesmente à espera que me voltasses a escrever a mandar uma mensagem. Ficava com a tua janela do messenger aberta à espera que aparecesse Luísa está a escrever... Mas esse dia nunca veio.

Deixei o tempo passar, dias... Meses. Porquê não sei ao certo, suponho que para ganhar coragem para te mandar mensagem.

Mas durante esses meses apareceu uma pessoa. Uma pessoa na tua vida. Esse tal de Roberto. Nunca consegui perceber qual era a vossa relação. Se era amizade, se era romance ou outra coisa qualquer. Mirava as tuas publicações para perceber o que se passava entre vós e poder-te, finalmente, dizer o que sentia. Mas nunca percebi, até hoje.

Queria ter-te dito, ainda quando querias ouvir, o Amo-te. Mas não fui capaz. Muitas das vezes, nós somos os inimigos de nós próprios mas achamos que o mundo conspira contra nós e não nos apercebemos que somos nós que conspiramos contra nós próprios. E o tempo, não nos perdoa. Não me perdoou. E perdi-te.

Mas hoje, percebo que a culpa não foi do Roberto, do tempo, da vida e muito menos tua. A culpa foi simplesmente minha. Porque tanto na vida, como na música, falhas o tempo e tens tudo estragado. Perdido. Mas ao contrário da música, na vida dificilmente terás a tão ansiada segunda oportunidade. As coisas são efémeras, a vida é efémera, e o tempo vai passando por nós, faz-nos crescer, muda-nos a mentalidade, faz-nos até esquecermos-nos da magia da vida e, no fundo, tudo o que nos resta e levamos da vida são as memórias. Memórias que criamos das brincadeiras que tivemos, dos beijos que trocamos, das viagens que fizemos. Porque quando sabemos que chega o fim da nossa vida queremos ter a certeza que aquilo que nos resta são boas memórias.

Não consigo saber o que teríamos sido, e calculo que nunca saberei, mas espero que saibas que amar-te-ei sempre. Estejas aonde estiveres, um dia havemos de nos encontrar novamente e tomar um café. Espero que haja cafés nos céu.

Para a Vida Toda




Paramos junto ao mar, o sol estava a pôr-se e deixava-nos apreciar os seus tons laranja. Segurei-te na mão e fixei o meu olhar em ti. Os teus olhos cor de canela cruzaram-se com os meus e passado uns segundos sorriste envergonhada. – Ai o que foi? Tenho a cara suja? Não! – Respondi-te eu. – É no cabelo? Está sujo? Não, princesa! Então? Porquê que estás a olhar assim para mim? Olhei por um momento para o mar e depois voltei a olhar para ti. Os teus olhos, o teu rosto moreno, os teus lábios, o teu cabelo… Tudo era perfeito. Por fim, respondi-te: Olho assim para ti porque todos os dias me apaixono por ti. Apaixono-me, pelo teu cabelo longo escuro de cetim, tão macio e brilhante. Apaixono-me, por essas pestanas que tentas arrebitar com rimel, mas para mim são perfeitas de qualquer forma. Apaixono-me, por esse teu narizinho arrebitado. (Ela sorriu). Apaixono-me por esses teus lábios lindos e carnudos que só mos apetece beijar. Apaixono-me, por essa tua pele morena, lisa, macia e cheirosa que só me dá vontade de acariciar. E essas tuas covinhas que fazes quando sorris? – Sim essas mesmo! Apaixono-me cada dia que passa por tudo o que está dentro de ti. És a miúda mais inteligente que conheci. Pela tua bondade, simplicidade e manteres-te sempre fiel àquilo que és, aos teus valores, àquilo que aprendeste. Apaixono-me, por dares sempre a mão ao teu amigo que de ti precisa, mesmo quando dias antes, a cara de ti desviava. Apaixono-me por te a mim dedicares. Apaixono-me, por quando me ferem, ferida te sentes. Obrigado por cuidares de mim e me teres transformado no homem mais feliz a caminhar à face da terra! Amo—te. Hoje e sempre! Amo-te em todas as línguas, em todas as culturas e em todos os lugares. As covinhas não saíram do teu rosto, mas a elas juntaram-se algumas lágrimas. Abraças-te a mim e eu e tu, sabemos que é para a vida toda. 

O Tempo

Querida Luísa, Não sei o que dizer passados tantos anos. É incrível as voltas que damos na vida e como, por vezes, não consegui...